Por uma revolução social mais profunda
Por: José Antônio Faro
Embora o Brasil tenha se saído bem ao enfrentar o terremoto econômico que abalou o mundo em 2009, ainda estamos sentindo os efeitos da crise econômica mundial, que demonstrou a fragilidade de um sistema econômico cujo centro não é o homem, mas o lucro. A importância do tema inspirou a reportagem de capa, que ao analisar a economia brasileira, oferece pistas para uma nova abordagem econômica, confirmada por especialistas brasileiros e de outros países.
O artigo contempla também o tema da Campanha da Fraternidade 2010: "Economia e vida" - iniciativa proposta anualmente pela Igreja Católica no Brasil. Neste ano, como aconteceu em 2000, será ecumênica, com a participação do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
O Texto-Base aponta os principais obstáculos para uma economia mais humana e sugere atitudes a serem tomadas para tentar remediar - ou pelo menos mitigar - os efeitos da má distribuição de renda e da exploração irracional dos nossos recursos naturais.
Seguindo a linha da urgência de uma renovação social mais profunda, apontamos para o campo tão controverso da mídia. Da mesma forma que a economia deveria suprir as necessidades básicas de todos, a informação deveria ser vista como um direito de todos. Nesse sentido Cidade Nova propõe uma entrevista com o jornalista José Marques de Melo, que formou gerações de profissionais da área e continua sendo um defensor do exercício da profissão com lisura e o máximo possível imune a interferências de interesses econômicos. Conforme suas palavras, "o jornalista deve ser mediador [entre os fatos e o público] e não a própria estrela da notícia".
Marques de Melo percorre a história do jornalismo no Brasil e toca nas feridas deste momento delicado para a profissão, cuja obrigatoriedade do diploma há alguns meses deixou de ser uma exigência e gerou grande frustração em toda a classe e nos estudantes da área.
O tema da comunicação é ainda aprofundado na seção Cenários, com o registro da 1ª Conferência Na-cional de Comunicação (Confecom), ocorrida em dezembro, evento que resulta do esforço dos setores dedicados à democratização do direito à comunicação no país, desde a promulgação da Constituição de 1988. Cidade Nova dá assim continuidade à cobertura que vem fazendo desde 2008 sobre os preparativos da Confecom, enfatizando a importância que atribui ao tema.
Como sempre as transformações dependem de como a sociedade capta esses anseios. Acreditamos que, com a união de esforços, a construção de um futuro melhor se torna mais próxima e possível.
José Antônio Faro
jantoniofaro@cidadenova.org.br