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Mundo Unido

Católicos e ortodoxos

Por: Marcello Riella Benites

 

Rumo à "plena comunhão"


A Igreja Católica e a Ortodoxa de Constantinopla (Turquia) "estão empenhadas sinceramente, nas últimas décadas, para antecipar o restabelecimento da plena comunhão". Essa afirmação foi feita na recente mensagem do papa Bento XVI ao patriarca da Constantinopla, Bartolomeu I. A crescente comunhão entre católicos e ortodoxos é também confirmada por declarações do Patriarca ortodoxo Kirill, de Moscou, que esteve três vezes com Bento XVI, no Vaticano, quando era presidente do Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado. Segundo ele, "o futuro não só da Europa, mas talvez do mundo inteiro depende da união entre as duas Igrejas, de sua mútua compreensão e de ações em conjunto entre elas".


Em meio a tantos pontos comuns, além da própria fé, Kirill indica a consonância entre as Igrejas na oposição estratégica ao "agressivo secularismo neoliberal" e, ainda, a defesa da moralidade e dos valores tradicionais no mundo moderno. Sinal dessa concórdia foi a publicação dos discursos do papa sobre a Europa. "Esse livro é o testemunho da absoluta identidade de visões e posições entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica com relação aos modernos processos sociais e é também a prova das enormes possibilidades de cooperação católico-ortodoxa", afirmou Ieromonaco Filipp, porta-voz do Patriarcado de Moscou.


O livro de Bento XVI, "Europa: Pátria Espiritual", foi lançado em dezembro de 2009, em Roma, numa edição bilíngue em russo e italiano, durante uma mesa-redonda intitulada "O Papel das Igrejas para a Integração Cultural da Europa". Apesar de toda essa sintonia, o Patriarca de Moscou não ignora os problemas que permanecem no relacionamento entre as duas Igrejas, mas diz esperar que "as situa-ções conflituais" se resolvam.

 

BEATIFICAÇÃO


Reconhecido o exemplo de Chiara Luce


Cidade Nova já dedicou várias páginas a Chiara Luce Badano, jovem italiana, membro do Movimen-to dos Focolares, que faleceu aos 18 anos com câncer, dando um testemunho comovente pelo modo como viveu a doença.
Em 1999 foi iniciado o Processo de Beatificação. No dia 19 de dezembro o papa Bento XVI assinou o decreto que reconhece um milagre realizado por Deus graças à intercessão de Chiara Luce, ocorrido em Trieste (Itália).
Maria Emmaus Voce, presidente dos Focolares, comenta: "Estimula-nos a acreditar na lógica do Evangelho: o grão de trigo que cai na terra, morre e produz frutos".

 

DIÁLOGO


Uma visita à Ásia


O encontro com Ajanh Thong, Grande Mestre do budismo Theravada, e um discurso aos jovens monges da Universidade Mahachulalongkorn, em Chiang Mai, Tailândia, é um dos destaques da via-gem que Maria Emmaus Voce faz pela Ásia até o dia 20 deste mês. A presidente dos Focolares dis-cursará, também em Chiang Mai, em 5 de fevereiro, no IV Simpósio Cristão-Budista, cujo tema é "Dharma, compaixão budista e ágape cristã no mundo contemporâneo".

Segundo ela, o diálogo com os budistas está em continuidade com o relacionamento iniciado há cerca de 30 anos por Chiara Lubich. "Com sua morte, esse diálogo não deve ser interrompido, mas, sim, ganhar novo impulso", afirmou Emmaus. A viagem, iniciada em 6 de janeiro, inclui um pronunciamento de Emmaus a 5 mil bu-distas do movimento Rissho Kosei-Kai, em Tóquio.


Na etapa coreana ela já teve um encontro com 1.500 membros do Movimento da Coréia do Sul, com um grupo de parlamentares do Movimento Político pela Unidade e com o presidente da Conferência episcopal, acompanhado de um grupo de bispos. Está prevista ainda uma mesa-redonda durante um congresso de bispos filipinos em Manila; encontros com bispos locais e comunidades dos Focolares em todas as etapas do percurso.

 

MIANMAR


Maratona de cartas pela soltura de Suu Kyi


"Prezado General, estou muito preocupado com o fato de a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Daw Aung San Suu Kyi, ter sido condenada, em agosto de 2009, a mais 18 meses de prisão domicilar. (.) Peço que demonstre o compromisso de Mianmar com os direitos humanos providenciando a soltura imediata e incondicional de Daw Aung San Suu Kyi e de todos os demais prisioneiros de consciência em Mianmar". Esses são trechos do apelo que a Anistia Internacional (AI) propõe que o maior número pos-sível de pessoas façam ao general Than Shwe, presidente de Mianmar, antiga Birmânia, por meio da chamada "Ação Solidária e Maratona Mundial de Cartas" para a soltura de Suu Kyi, a famosa ativista contra a ditadura no país.


Colônia inglesa na década de 1930, a Birmânia foi ocupada pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, cujo final estimulou um movimento nacionalista liderado pelo pai de Suu Kyi, o general Aung San, assassinado em 1947. No ano seguinte o país tornou-se uma república independente. Em 1962, o general Ne Win assumiu o poder após um golpe. Em 1988, renunciou devido a pressões populares pela democracia.


Uma junta militar passou a governar o país e reprimiu as manifestações matando mais de mil pessoas. No mesmo ano, Suu Kyi voltou da Inglaterra - por motivos de trabalho e estudo ela morou em diferentes países. Em 1989 foi submetida à prisão domiciliar, situação que, desde então, tem se mantido com períodos de relaxamento por parte do governo, devido a pressões internacionais. Nas eleições de 1990, a junta ignorou a vitória da oposição e se manteve no poder. Em 1991, Suu Kyi recebeu o Nobel da Paz.


Protestos de monges budistas, em 2007, em consequência de aumentos em até 500% nos preços de a-limentos, tiveram adesões da população e chegaram a reunir 100 mil pessoas, sendo reprimidos pelo governo com 6 mil prisões e mais de 30 mortes. A estratégia de prender opositores é sistemática no país, ce-dendo, por vezes, aos apelos da comunidade internacional. Em 2008, 9 mil detentos foram libertados, porém, dezenas de participantes das manifestações de 2007 foram condenados a até 65 anos de prisão. In-formações sobre como participar da Maratona Mundial de Cartas para soltura de Aung San Suu Kyi podem ser obtidas no site da Anistia Internacional: <http://www.br.amnesty.org>.

 

SRI LANKA


Cinco anos após o tsunami


No dia seguinte ao Natal de 2004, 13 países foram atingidos por um gigantesco tsnunami causado por um terremoto de 9,5 graus na escala Richter, ocorrido perto da ilha de Sumatra, na Indonésia. A de-vastação no litoral de Sumatra, Índia Meridional e Tailândia foi total. Mais de 220 mil mortos e 1,8 bilhão de desabrigados foram as consequências humanas de uma das maiores catástrofes naturais já ocorridas. O Sri Lanka também estava entre os países mais atingidos. Foi o segundo em número de mortes (atrás da Indonésia), com 35 mil vítimas.


A solidariedade internacional para o maior produtor mundial de chá chegou a 13,5 bilhões de dólares. Segundo a Agência Fides, após cinco anos, uma rede composta por agências de ajuda humanitária das Igrejas luterana e católica, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e pela Cruz Vermelha informam que o país volta a florescer. Inclusive, grupos que antes do tsunami eram excluídos hoje têm mais acesso aos bens básicos como escolas, serviços sanitários e poços.

As comunidades, atualmente, dispõem também de um sistema capaz de identificar novas ondas gigantes e alertar imediata-mente, a tempo de evacuar as regiões litorâneas. Os representantes dessas instituições afirmam que um dos pontos mais importantes para chegar a esses resultados foi o envolvimento das comunidades locais, não como coadjuvantes, mas como protagonistas da reconstrução de seu país, numa experiência que "concentrou a solidariedade global, em um dos raros momentos de unidade sem obstáculos".

Os artigos desta seção podem ser reproduzidos parcial ou totalmente desde que sejam citados a fonte e o autor. Imagens: só com autorização escrita da Editora Cidade Nova

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