Educação sexual na TV
Por: Luís Henrique Marques
São muitas e importantes as razões que têm levado a sociedade - e, em especial, pais e educadores - a preocupar-se com a educação sexual dos filhos. Gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis estão entre os principais motivos dessa preocupação. Atualmente, a TV, assim como as ou-tras mídias, tradicionalmente condenada por incentivar a pornografia e a prática sexual precoce, pare-ce querer se redimir dessa condenação indesejável. Prova disso são os novos programas ou quadros de programas voltados para a instrução sexual de jovens.
Olhares atentos, no entanto, apontam para o fato de que o posicionamento desses novos e midiáticos "educadores sexuais" é, no mínimo, contraditório. Em linhas gerais, esses programas simplesmente in-centivam a prática sexual precoce entre os jovens, sem considerar devidamente o fato de que a sexualidade vai além do ato sexual. Nesses casos, o uso de preservativo é, quase sempre, o lugar-comum da receita para uma sexualidade saudável.
PodSex
Apresentado pelas jovens Kika Martinez e Titi Müller e exibido às sextas-feiras a partir das 23h30min (e reprisado aos domingos, a partir da 1h15min) pela MTV Brasil, o programa PodSex - a exemplo de outros programas da emissora cujo público-alvo é constituído de jovens - busca, pela lin-guagem direta, a identificação imediata com os telespectadores. O "papo descolado" é permeado, basicamente, por questões a respeito de como fazer sexo e obter prazer.
Táticas de conquista, sobre o que excita a mulher estão entre os assuntos debatidos até o momento no programa. A conversa das duas jovens é recheada de expressões que, ao buscar "a naturalidade que o assunto exige", tendem à futilidade, quando não beiram o vulgar. Por não serem especialistas e reproduzirem certo senso comum entre muitos jovens, as apresentadoras são incapazes de oferecer subsídios para uma reflexão crítica sobre o rela-cionamento humano e, sobretudo, com a pessoa de outro sexo. Pelo menos, algo que vá além do simples ato sexual e que contemple outras dimensões da pessoa, tais como a moral, a emocional e a espiritual, pertinentes à sexualidade.
Amor e sexo
Tendo ido ao ar em poucas edições também nas noites de sexta-feira - o que leva a pensar que a au-diência não atingiu os índices desejados pela Rede Globo e deverá sofrer modificações - Amor e Sexo segue a linha de outros programas e quadros sobre o mesmo tema. Menos explicitamente apelativo que o PodSex, o programa apresentado pela modelo e atriz Fernanda Lima tenta combinar descontração com "papo sério".
Para tanto, Amor e Sexo - com a participação da psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo - abusa de tradicionais recursos da TV: enquetes de rua, participação de celebridades, música, entre ou-tros. O resultado final acaba sendo o mesmo dos demais programas e quadros do gênero: a "seriedade" do assunto é comprometida pela abordagem restrita de questões relativas ao sexo (e não à sexualidade, cujo sentido é bem mais amplo), bem como pela visão prioritariamente hedonista do comportamento sexual.