Ed Mota lança álbum pop e dançante
Por: Emanuel Bomfim
Artista: Ed Motta
Álbum: Piquenique
Gravadora/Ano: Trama/2009
Após lançar um disco todo em inglês, "Chapter 9", o roqueiro Ed Motta retoma sua linha mais pop com o lançamento do dançante "Piquenique". A grande novidade fica por conta da parceria com sua esposa, Edna Lopes, com quem está casado há 18 anos. Quadrinista e designer, ela já assinava as capas dos discos de Ed, mas agora também assume com ele todas as letras deste novo trabalho. A única exce-ção é a faixa "Nefertite", feita com Rita Lee.
Alegre e festivo, "Piquenique" não é um disco para as FMs se esbaldarem, ainda que traga possíveis hits radiofônicos, caso da faixa de abertura, "Minha Vida Toda com Você". O pop de Ed Motta não é simplório. Basta perceber a quantidade de timbres de teclados utilizados pelo cantor no disco. Eles es-tão aí para reforçar a atmosfera setentista de boa parte dos temas, com funk, soul e disco music.
Além do groove da música negra estadunidense, Ed Motta foi buscar a sonoridade de Carlos Imperial e Simonal para compor "A Turma da Pilantragem", num dueto com Maria Rita. É uma das melhores do dis-co. A faixa-título traz outra boa surpresa: a participação de Marya Bravo. Famosa nos anos 1970 por dar voz ao single "Cremogema", a cantora contribui para o clima bem-humorado da canção. Ed Motta ainda equilibra a linha dançante do álbum com algumas faixas "mais tristes". "Carência no Frio" é uma delas: romântica, exagerada, daquelas para lembrar os bons tempos do Fábio Jr.
Sempre sofisticado e inquieto, Ed Motta não restringe sua música a retratos de gênero. Aproveita a desculpa "de ser pop", para fazer mais um grande disco: vivo, ensolarado e feliz.
Mallu Magalhães evolui em novo disco
Artista: Mallu Magalhães
Álbum: Mallu Magalhães
Gravadora/Ano: Sony/ 2009
Um ano mais velha e dez centímetros mais alta do que quando estreou na música, aos 16 anos, Mallu Magalhães está diferente. O que antes soava perdido, agora parece que encontrou um caminho mais sóli-do. O fenômeno juvenil saiu da esfera folk para algo mais amplo e interessante. "Mallu Magalhães" é um disco solto, divertido e até bem roqueiro.
Parte da responsabilidade por essa mudança no próprio som veio com a troca de produtor. Depois de Mário Caldato Jr., foi a vez de Kassin (Vanessa da Mata, Ana Carolina) assumir as rédeas desse novo re-gistro. Mallu também abandonou a veia independente, amplamente apoiada na internet, para assinar com uma multinacional (Sony). A nova estrutura e toda experiência que a cantora adquiriu nesse período cola-boraram para chegar a composições tão férteis.
O início é até estranho: "My Home is Man" é pesada, suja, tensa. Rock do bom, rasgado e dançante. O clima depois fica mais leve, mas nada monótono. Tem blues, folk, reggae, baladas, psicodélia e mais rock. É o caso da sessentista e emocionante "Bee on the Grass", com referências a Beatles e Mutantes.
A levada jamaicana é desfilada em "Shine Yellow", enquanto o blues se faz presente em "Nem Fé nem Santo". "Versinho de número um" é uma pérola: uma declaração de amor embalada por um sinteti-zador vintage e por brincadeiras vocais. As raízes folk de Mallu não foram embora, como se pode per-ceber em "You ain't gonna loose me" e em "Ricardo". Acompanhada de violinos, ela faz outra bela de-claração romântica em "É você que tem".
E Marcelo Camelo? Ele faz apoios vocais em três faixas e assovia em "Compromisso". Segundo Mallu, ele esteve presente durante toda a concepção do disco.