Que barulho estranho!!!!
Por: Christiane Suplicy e Carlos André Marques
Uiááááááááá, Uiáááááááá,
- Sei lá quem está fazendo esse barulho, mas dá para parar? Meu cri cri é muito mais bonito e eu não quero disputar as atenções com um ruído horrendo desses, pediu o grilo ranzinza.
Minutos depois:
- Uiáááááááááá, Uiááááááááááááá.
- Quem é o engraçadinho? Shiiiii, silêncio aí, ô!, gritou de novo o grilo, que, até então, era o centro das atenções lá no pasto da Cidade das Içás.
Os outros bichos lá do pasto não estavam achando o barulho feio, não. Era diferente e um pouco estranho, lá isso era verdade. Mas até por isso mesmo estavam mais curiosos do que nunca para saber de onde ele vinha.
A aranha achou que era a cigarra com uma tremenda dor-de-barriga.
- Eu não, respondeu a cigarra. Eu estou ótima. Acho que é aquele sapo, já idoso, que mora perto da cerca. Ele deve ter cismado de lavar o pé na água fria e agora não para de espirrar e tossir.
O sapo, que apesar de velho não era surdo, respondeu.
- E eu lá espirro que nem doido? Não bota a culpa em mim não!
E o barulho continuava:
- Uiáááááááááá, Uiáááááááá.
A vaquinha Holandesa, muito esperta, decidiu se afastar do grupo e andar em direção ao barulho. E deu certo! Descobriu que o som vinha de um passarinho, que - mais estranho ainda - não parava de socar e chutar o vento.
Apesar de um pouco receosa, Holandesa criou coragem e resolveu conversar com aquele novo habitante. Afinal, o passarinho não tinha jeito de ser agressivo.
- Bom dia, pássaro. Eu sou a Holandesa. E você? De que espécie você é? - perguntou.
- Bom-dia, vaquinha. Eu sou o Chimachima, um filhote de gavião-pinhé. Nasci há poucos dias. Muito prazer, respondeu a ave.
- Uiááaááá: que som maravilhoso esse da sua espécie. Pena que vocês devem se cansar muito por terem de chutar e socar o vento, ao invés de voarem por aí.
- Não, Holandesa. Nós voamos muito bem e não piamos assim. É que, hoje, eu estou brincando de ser um super guerreiro ninja, respondeu o passarinho. Eu adoro super-heróis!
- Ah, exclamou a vaquinha que, de repente, pareceu bem desanimada.
Ela se sentou e fechou os olhos, demonstrando não querer mais bater papo. Ao perceber o desânimo de sua nova amiga, Chimachima, preocupado, perguntou:
- O que foi? Por que você ficou tão tristinha?
- É que uns insetos resolveram ficar me picando bem nas costas. E eu não consigo tirá-los de lá, pois meu rabo é curto. Estou com dor, reclamou Holandesa.
E então, num golpe voador espetacular, com direito a cambalhotas e gritos de ninja, Chimachima pousou na coleira da vaquinha e disse:
- Com meu bico pontiagudo e muito resistente, isso é trabalho fácil para mim. De hoje em diante, deixa comigo!
Com uma delicadeza de causar inveja a uma bailarina de caixinha de música, Chimachima retirou os insetos do lombo da bezerra. E ficou alerta, perto da vaquinha, a fim de não deixar que nenhum bichinho
a incomodasse de novo.
Holandesa retribuiu o carinho e convidou o passarinho a esquentar os pés em seu pelo macio. Por fim, suspirou:
- Você já é um verdadeiro super-herói! O meu herói.
Participe desse espaço
O Chimachima gosta de super-heróis. Do que será que a vaquinha Holandesa gosta? Tente adivinhar e escreva para: espacocrianca@cidadenova.org.br
Texto de Christiane Suplicy e ilustração de André Marques