Críticas: como lidar com elas?

Por que uma crítica causa tanta estranheza, podendo levar ao conflito, à raiva e ao desânimo?

por Darlene Bomfim   publicado às 00:00 de 12/12/2019, modificado às 17:14 de 12/12/2019

Críticas, um quesito delicado quando se trata de desenvolvimento pessoal. Trata-se de elemento essencial nas relações humanas que se propõem a ser mais autênticas e construtivas. E por que será que ninguém gosta? Ou por que uma crítica causa tanta estranheza, podendo levar ao conflito, à raiva e ao desânimo?

Na verdade, a causa principal é que não gostamos de errar, o que é algo positivo e inerente ao agir humano. Gostamos e queremos fazer o certo, aquilo que se imaginou ser correto. Mas, por vezes, nos esquecemos de que, vivendo em grupos, os outros são nossa melhor referência e podem ter um olhar simplesmente diferente do nosso sobre as coisas.

Nunca receber críticas pode significar que a pessoa se arrisca e se expõe pouco. Na verdade, ninguém cresce apenas com “tapinhas no ombro” ou permanecendo “no colo”. Para evoluir, necessitamos das críticas, da opinião e da visão dos outros. Somente aceitando a crítica, será possível reconhecer erros e acertos, ou buscar novas formas de agir.

É claro que devemos analisar a qualidade da crítica, a sua relevância, bem como a qualidade de quem está criticando. Se for alguém competente, sério, experiente, que quer o melhor para a pessoa, em geral, a crítica é uma oportunidade fantástica de crescimento pessoal e de dar amplitude à ação.

Hoje, fala-se muito do valor das mentorias, desde para a criança na escola ao executivo de uma empresa, e, em última análise, o que isso significa? Significa conhecer o outro, extrair o melhor dele, ajudá-lo no processo que ele está vivendo e, nisso, a crítica funciona realmente como o olhar de quem tem, em geral, uma visão mais abrangente da situação. Quem está muito envolvido pode reduzir a visão e as metas.

As críticas doem! Especialmente porque, afinal, queremos dar o nosso melhor! Nesse caso, a primeira sugestão é se perguntar por que ou com qual intensidade doeu. Isso pode levar a pessoa ao autodiscernimento e ajudá-la a redimensionar a dor que a crítica causou.

Outra atitude sadia é não transformar a crítica em uma catástrofe ou focar apenas na crítica e não dar a ela uma dimensão maior do que possui, de fato.  O tempo também é excelente remédio. Procurar não reagir de forma exagerada e intempestiva ajuda a aceitar e a utilizar bem as críticas.

Aprender a lidar com as críticas é uma arte. E, nesse sentido, uma sugestão boa é focar no fato que levou à crítica. Sobre a causa ou causas do fato, poderão ser inferidas muitas observações, julgamentos, tentativas de adivinhar o porquê da crítica. Seguramente, isso desemboca no aspecto emocional e causa desconforto. Mas se o fato oferece informações confiáveis sobre a realidade, esse pode ser analisado, aceito ou não. E, diante do fato, é possível encontrar respostas e sugestões para uma ação, quer isso implique aceitar a crítica, quer isso aponte para uma melhoria.

Outro elemento desta arte é, em um primeiro momento, aceitar a crítica sem ter que apelar a justificativas e explicações. Não rebater de imediato. Isso requer treino, prática e desejo sincero de melhoria contínua.

Tudo isso não significa ser passivo, aceitar tudo de qualquer forma ou deixar se abater de forma exagerada. Enfim, saber que erramos, mesmo tendo agido com a melhor das boas intenções, ajuda a vencer o inimigo número um da crítica, que é o orgulho. O orgulhoso dá a falsa impressão de que é possível vencer, fazer o melhor e ser feliz sozinho. Por outro lado, uma boa crítica pode ser

 

Darlene Ponciano Bomfim

Profissional de Coaching