Diálogo é a chave para tolerância religiosa

Fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich tornou-se símbolo da unidade inter-religiosa, pautada no diálogo verdadeiro e da experiência concreta de fraternidade entre as diferentes culturas

por Teresa Breda   publicado às 00:00 de 20/01/2021, modificado às 16:36 de 20/01/2021

Os desafios enfrentados durante a pandemia reforçaram ao mundo a necessidade do diálogo, da unidade e da tolerância entre as nações. Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, espalhou o carisma da unidade por onde andou, durante toda sua vida. O objetivo de concretizar o “Que todos sejam um”, levou-a para todos os cantos do globo e ao diálogo inter-religioso e cultural. 

Neste 21 de janeiro celebramos o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e o Dia Mundial da Religião, os quais trazem à tona o seguinte questionamento: como praticar o diálogo de maneira verdadeira e criar laços de fraternidade entre as religiões, em meio aos desafios atuais?

Durante a entrega do “Prêmio civilização do amor pelo diálogo inter-religioso – Fórum Internacional Civilização do Amor”, na Itália, em 04 de junho de 1996, Chiara afirma que, antes de tudo, é necessário conhecer. “Está escrito: ‘Conhecer a religião dos outros implica entrar na pele deles, ver o mundo com os seus olhos, penetrar no que significa para eles ser hinduísta, muçulmano, hebreu, budista’. Mas como ‘entrar na pele dos outros’? Isso só é possível mediante o amor, o verdadeiro amor. Todos sabem o que é o amor”, disse. 

CONSTRUINDO PONTES DE FRATERNIDADE

Empenhada em construir pontes de fraternidade a fim de que o pluralismo religioso da humanidade não seja causa de divisões e guerras, mas contribua para a construção da paz no mundo, ela manteve o diálogo entre líderes das grandes religiões. 

Em 1981, apresentou sua experiência espiritual para mais de 10.000 budistas, em Tóquio, no Japão, convidada por Nikkyo Niwano, presidente do movimento budista Rissho Kosei-Kai. Tal experiência, desenvolveu-se na colaboração fraterna entre os movimentos. Em 2019, por exemplo, membros da Risho Kose-Kai visitaram a Mariápolis Ginetta, reafirmando a ponte construída por Chiara. 

Já em janeiro de 1997, foi convidada para falar com grupos de monges, monjas e leigos budistas na Tailândia, dando início ao diálogo entre o cristianismo e o budismo.

No mesmo ano, em maio, houveram dois encontros na cidade de Nova York que ampliaram o impacto do carisma da unidade no mundo: um encontro pessoal com W.D. Mohammed, atual líder da American Muslim Mission; e um momento com mais de 700 pessoas, com um público multiracial, multicultural e multirreligioso, no Palácio de Vidro da ONU. Em seu discurso, ressaltou a afinidade que existe entre a Organização e o Focolares.

Aplicando o “entrar na pele” das outras religiões, Chiara foi a primeira mulher branca, cristã e leiga a narrar sua experiência para mais de 3 mil muçulmanos, na mesquita de Malcom Shabazz, em Harlem (Nova York). Em busca de estabelecer um relacionamento firme com os hebreus, visitou a terceira maior comunidade judaica do mundo, em Buenos Aires, em abril de 1998. Dessa forma, abriu as portas ao diálogo com o mundo islâmico afro-americano e hebraico. 

Os frutos destes momentos permanecem até hoje ao redor do mundo. Em São Paulo, atualmente, membros do Movimento dos Focolares participam do grupo Famílias Abraâmicas que reúne famílias cristãs, judaicas e muçulmanas. Nesses encontros, a troca de experiências sobre suas tradições, celebrações e um profundo respeito e amor mútuo pela fé uns dos outros alimentam a chama de fraternidade dada por Chiara. Outra experiência de diálogo entre mulçuamos e o movimento dos Focolares aconteceu em Salvador, em 2019, durante um momento de partilha entre os grupos. Na ocasião, foi apresentado o Dado do Amor a um grupo chamado POT (Peace On the Table) que reúne mulheres judias e muçulmanas.

DESAFIOS ATUAIS

As falas e ensinamentos de Chiara Lubich permanecem atuais, assim como os desafios enfrentados por ela e pelo pequeno grupo de suas primeiras companheiras. Entretanto, ela permaneceu até o último minuto enfática e fiel ao ideal de unidade. “Apesar dos conflitos do mundo contemporâneo (entre o Norte e o Sul, por exemplo, e noutras partes do globo) e dos fenómenos de racismo e de integralismo [integrismo] que se verificam, além de outros males de agora, o nosso planeta parece tender para a unidade”, ressalta ainda em 1996.

UM SINAL DE ESPERANÇA AO MUNDO

Doutora Honoris Causa em Ciências Sociais, Comunicação Social, Teologia, Ciências Humanas, Filosofias, Psicologia, Pedagogia, Arte e Vida consagrada, por diversos países, como Estados Unidos, Polônia, Tailândia e Itália, ganhou reconhecimento mundial por seus trabalhos. 

Entre eles, quatro sobre especificamente o diálogo inter-religioso: Prêmio Templeton pelo progresso da religião (Londres, abril de 1977), Da Comunidade judaica de Roma – Uma oliveira pela Paz (Rocca di Papa, outubro de 1995), Do Fon de Fontem, rei dos Bangwa, Lucas Njifua, nomeação como “Mafua Ndem”, Rainha enviada por Deus (Fontem, República dos Camarões, maio de 2000) e Dos Movimentos hindus de inspiração gandhista Shanti Ashram e Sarvodaya – Prêmio Defensor da Paz (Coimbatore, Índia, janeiro de 2001).

PALAVRAS DE VIDA 

O ideal da focolarina ultrapassa gerações e traz ao mundo uma nova maneira de viver o amor recíproco e o respeito por cada próximo. Para que sua palavra permaneça pulsante, nós da Cidade Nova disponibilizamos para compra online o livro A Unidade, desejo de Deus, escrito por Florence Gillet e Donato Falmi. A obra apresenta uma seleção de textos de Chiara Lubich, em partes inéditas, sobre sua compreensão acerca da Unidade e a atualidade, e suas ricas experiências inspiradas no pedido de Jesus ao Pai, em prol da união e da fraternidade entre pessoas de crenças, religiões, culturas e povos distintos.

 

 

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