Carlo Acutis: um “ciberapóstolo”

SANTIDADE Partiu para a casa do Pai com apenas 15 anos e, no dia 10 de outubro passado, foi beatificado pelo papa Francisco. Amante das tecnologias, das redes sociais e do desporto, Carlo é um testemunho atraente para os adolescentes de hoje

por Diogo Oliveira   publicado às 15:35 de 11/02/2021, modificado às 15:38 de 11/02/2021

(Cidade Nova-Portugal)

 

O ANO de 2020 será recordado, sem sombra de dúvidas, como o ano dos encontros virtuais, por causa da pandemia. A propagação da Covid-19 fez com que tivéssemos de nos resguardar nas nossas casas, para cuidarmos de nós próprios e do próximo. Também em razão da quarentena, assistimos a um enorme crescimento do uso das redes sociais e das diversas plataformas de comunicação, que se converteram nas ferramentas mais utilizadas para realizar as diversas atividades cotidianas.

Ao mesmo tempo, é preciso destacar que esses meses de pandemia trouxeram, como fruto, o aumento de missionários digitais, isto é, pessoas que anunciam a Boa Nova de Jesus Cristo nas redes sociais e através de diversas plataformas digitais. Na exortação apostólica Christus vivit (“Cristo vive”), o papa Francisco afirma: “É verdade que o mundo digital pode expor-te ao risco de te fechares em ti mesmo, de isolamento ou do prazer vazio. Mas não esqueças a existência de jovens que, também nessas áreas, são criativos e às vezes geniais. É o caso do jovem venerável Carlo Acutis. Ele sabia muito bem que esses mecanismos da comunicação, da publicidade e das redes sociais podem ser utilizados para nos tornar sujeitos adormecidos, dependentes do consumo e das novidades que podemos comprar, obcecados pelo tempo livre, fechados na negatividade. Mas ele soube usar as novas técnicas de comunicação para transmitir o Evangelho, para comunicar valores e beleza” (p. 104-105).

Mas quem é esse jovem que o Santo Padre menciona como exemplo de missionário digital e que já despertou devoção nos cinco continentes?

Carlo Acutis, chamado por alguns “o ciberapóstolo da Eucaristia” e “o tecnoevangelizador”, nasceu em Londres (Inglaterra) em 3 de maio de 1991 e recebeu o sacramento do batismo 15 dias depois, na paróquia Nossa Senhora das Dores. Os seus pais, Andrea Acutis e Antonia Salzano, estavam em Londres, temporariamente, por motivos profissionais e regressaram a Milão, a sua cidade natal, em 8 de setembro daquele mesmo ano.

Desde muito pequeno, Carlo manifestou expressões de fé. Quando tinha quatro anos, ao passar por uma igreja, pediu à sua mãe para entrarem, para cumprimentar Jesus. Antonia também recorda que, desde muito pequeno, apanhava flores para levar à Virgem Maria

Os seus pais não eram católicos praticantes, mas em Carlo havia uma predisposição natural para o sobrenatural. Quando tinha 6 anos, manifestou o desejo de receber a Primeira Comunhão, o que aconteceu em 16 de junho de 1998, quando já tinha 7 anos. Foi previamente interrogado por monsenhor Macchi (que tinha sido secretário do papa Paulo VI), que confirmou a maturidade e a formação cristã do menino, o autorizou a receber o sacramento da Eucaristia e recomendou aos pais que essa celebração se realizasse num lugar de recolhimento interior, sem distrações. Eles decidiram fazê-lo no mosteiro das Irmãs Eremitas de Santo Ambrósio, a 40 quilômetros do centro de Milão. Desde esse dia, Carlo manifestou o seu grande amor pela Eucaristia, a que chamou “a minha autoestrada para o Céu”. Para além da Eucaristia, outros dos pilares da vida espiritual de Carlo foram a Palavra de Deus (“tem que ser sempre a nossa bússola”, gostava de repetir) e a Virgem Maria, que considerava a sua grande confidente. Era um grande devoto da Virgem, em particular de Nossa Senhora de Fátima. Ficou impressionado ao ler a história das aparições e pediu aos pais para visitar o Santuário.

Como fruto da sua íntima união com Jesus e a Virgem Maria, surgiram as obras de caridade. Foi voluntário num refeitório de frades Capuchinhos e ajudava de forma espontânea os sem-teto que dormiam nas ruas. Fazia sopa e depois saía para partilhá-la com algumas dessas pessoas. Rajesh, um homem que fazia serviços domésticos na casa de Carlo, recorda que, um dia, a criança decidiu poupar dinheiro e comprou um saco de dormir para um dos moradores de rua.

Em outubro de 2006, Carlo adoeceu e diagnosticaram-lhe leucemia do tipo M3, a mais agressiva. Perante essa situação, assegurou aos seus pais: “Ofereço ao Senhor os sofrimentos que terei que sofrer, pelo papa e pela Igreja, para não ter que passar pelo Purgatório e poder ir diretamente para o Céu”. Faleceu em 12 de outubro, no hospital de San Gerardo, em Monza. Antes de conhecer a sua doença, Carlo tinha dito que, quando morresse, gostaria de ser enterrado em Assis e, por isso, os seus restos mortais descansam no Santuário do Despojamento, naquela cidade.

Em 21 de fevereiro do ano passado, o papa Francisco autorizou o decreto que reconhece um milagre atribuído à intercessão do venerável Carlo Acutis, que foi beatificado em 10 de outubro. 

Carlos Acutis. Imagem do site Vatican News

Carlo convida-nos a percorrer o caminho da santidade ao longo da vida cotidiana. Ele gostava de jogar futebol e esquiar, jogar Playstation com os seus amigos. Muitas pessoas afirmam que Carlo foi um gênio em informática, usava Photoshop e tinha amplos conhecimentos em linguagens de programação como C++ e HTML. 

Uniu o seu grande amor pela Eucaristia e pela informática e, desse modo, conseguiu fazer um catálogo digital dos milagres eucarísticos. Visitou alguns dos santuários e paróquias onde eles aconteceram e procurou informação através da internet sobre outros milagres. Este trabalho durou mais de dois anos.

Alguns jovens, ao conhecerem todos esses dados, afirmam: “Era como eu. Se ele viveu um caminho de santidade, eu também posso ser santo”.

 

Por Diogo Oliveira1

1) Colaborador da Associação “Amici di Carlo Acustis”. 

Versão em português brasileiro de Luís Henrique Marques

Matéria originalmente publicada na revista Cidade Nova em fevereiro de 2021. 

 

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