Vamos viver juntos a Palavra de Vida de Setembro?

“Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos.” (Tg 1,21)

por Letizia Magri*   publicado às 00:00 de 06/09/2018, modificado às 14:55 de 06/09/2018

A Palavra de Vida deste mês provém de um texto atribuído a Tiago, personalidade relevante na Igreja de Jerusalém. Ele recomenda ao cristão a coerência entre crer e agir.

O trecho inicial da carta chama a atenção para uma condição essencial: libertar-se de toda maldade para acolher a Palavra de Deus e deixar-se orientar por ela no caminho rumo à plena realização da vocação cristã.

A Palavra de Deus tem uma força bem característica: ela é fecunda, faz germinar o bem na pessoa individualmente e na comunidade; com ela, cada um de nós encontra uma relação pessoal de amor com Deus; e ela constrói um relacionamento de amor entre as pessoas.

Ela já foi, como diz Tiago, “implantada” em nós.

                    

Vamos Viver a Palavra de vida de Setembro

 

“Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos.”

Foi implantada? De que modo? Isso ocorreu com certeza porque Deus, desde a criação, pronunciou uma Palavra definitiva: o homem é “imagem” Dele. Realmente, cada criatura humana é o “tu” de Deus, chamado à existência para compartilhar a Sua vida de amor e de comunhão.

Por outro lado, para os cristãos, o sacramento do batismo é que nos insere em Cristo. Cristo, que é a Palavra de Deus que entrou na história humana.

Ou seja: Ele depositou em cada pessoa a semente da sua Palavra, chamando todos ao bem, à justiça, ao dom de si e à comunhão. Quando essa semente é acolhida e cultivada com amor no próprio “chão”, ela é capaz de produzir vida e frutos.

“Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos.”

Um lugar onde Deus nos fala com clareza é a Bíblia, que para os cristãos tem o seu ponto mais alto nos Evangelhos. É preciso acolher a Sua Palavra na leitura amorosa da Escritura de modo que, vivendo-a, possamos ver os seus frutos.

Também podemos escutar Deus no profundo do nosso coração, onde nos sentimos muitas vezes infestados por tantas “vozes”, tantas “palavras”: slogans e sugestões de escolhas a serem feitas, modelos de vida, além de preocupações e medos... Mas como podemos reconhecer a Palavra de Deus e dar-lhe espaço para que viva em nós?

É preciso desarmar o coração e “render-nos” ao convite de Deus, para colocar-nos em uma livre e corajosa escuta da Sua voz, que muitas vezes é justamente a mais delicada e discreta.

Ela nos pede a coragem de sairmos de nós mesmos e de nos aventurarmos pelos caminhos do diálogo e do encontro com Ele e com os outros, e nos convida a colaborar para tornar mais bonita a humanidade: que nela possamos todos nos reconhecer cada vez mais como irmãos.

“Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos.”

Realmente, a Palavra de Deus tem a possibilidade de transformar o nosso dia a dia em uma história de libertação das trevas do mal pessoal e social, mas espera a nossa adesão pessoal e consciente, mesmo que imperfeita, frágil e sempre peregrina.

Os nossos sentimentos e os nossos pensamentos se tornarão cada vez mais semelhantes aos do próprio Jesus; a fé e a esperança no Amor de Deus serão reforçados; ao mesmo tempo os nossos olhos e os nossos braços se abrirão às necessidades dos irmãos.

Em 1992, Chiara Lubich dava esta sugestão: Em Jesus via-se uma profunda unidade entre o amor que Ele tinha pelo Pai celeste, e o amor para com os homens, seus irmãos. Havia uma profunda coerência entre as suas palavras e a sua vida. Isso fascinava e atraía a todos. É assim que também nós devemos ser. Devemos acolher as palavras de Jesus com a simplicidade das crianças e colocá-las em prática com toda a sua pureza e luminosidade, com a sua força e o seu radicalismo, para sermos discípulos tais como Ele deseja, isto é, discípulos iguais ao mestre: “outros Jesus” espalhados no meio do mundo. Existirá para nós uma aventura maior e mais atraente?1

*Letizia Magri é especialista em matrimônio e família na Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. Desde março de 2017, escreve a Palavra de Vida como representante de um grupo de membros do Movimento dos Focolares de diferentes idades, culturas e profissões, entre os quais especialistas em exegese bíblica, ecumenismo e comunicação

 

1 Cf. Chiara Lubich, Coerência de vida, revista “Cidade Nova”, março de 1992.

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Chiara Lubich, amor, movimento dos focolares, Palavra de Vida, viver o evangelho