Qual o papel do jornalismo hoje? Nós perguntamos e os jornalistas responderam.

Com o intuito de homenagear essa profissão nobre e que é também um serviço ao bem comum e à manutenção da democracia, entrevistamos alguns editores e editoras que passaram pela Revista Cidade Nova ao longo dos últimos anos, além de dois jovens jornalistas colaboradores da Editora. E perguntamos a eles e a elas: "Qual o papel do jornalismo, hoje?".

por Web Master   publicado às 16:45 de 08/04/2021, modificado às 16:49 de 08/04/2021

Comunicar é uma atividade inerente aos seres humanos. Nos comunicamos interna e externamente a todo o momento, seja involuntária ou voluntariamente. Apesar de frequente, a comunicação é mais complexa do que pode parecer e exige de nós uma atenção apurada, uma objetividade na prática e uma visão crítica da realidade, que nos permite enxergar o que está além do fato. Em suma, exige uma vocação ao diálogo e à escuta. Uma vocação a qual todos os e as jornalistas são chamados/as. 

Com o intuito de homenagear essa profissão nobre e que é também um serviço ao bem comum e à manutenção da democracia, entrevistamos alguns editores e editoras que passaram pela Revista Cidade Nova ao longo dos últimos anos, além de dois jovens jornalistas colaboradores da Editora. E perguntamos a eles e a elas: "Qual o papel do jornalismo, hoje?".  

Contribuir com o exercício da cidadania

A gaúcha Fernanda Pompermayer esteve à frente da Editora de 2012 a 2016 e destaca o desafio negativo das fake news diante da democratização positiva de acesso aos meios de comunicação.  “Nesse oceano midiático, o trabalho do profissional de imprensa parece totalmente dispensável, uma vez que todos viraram produtores de conteúdo. É aí que, a meu ver, o trabalho jornalístico sério faz toda a diferença”, afirma Pompermayer.

Para evitar a propagação das fake news, ela adota uma técnica antiga e eficaz do Jornalismo, a checagem dos fatos. “Sempre que eu recebo pelas redes sociais alguma informação que me parece duvidosa, confiro em pelo menos três jornais ou sites que considero de maior credibilidade. Muitas vezes descubro que é fake. Em outras, confirmo que é verdade”.

José Antônio Faro, editor  da revista por mais de uma década, compreende que o papel do jornalista esbarra na formação crítica dos cidadãos. "Ajudando na construção de uma consciência mais crítica sobre os diversos fatos e demonstrando as conexões entre estes, os jornalistas resgatam o seu lugar social e cultural de intérpretes da realidade e de mediador entre as diversas vozes da sociedade. Desse modo, tornam-se indispensáveis para a formação de cidadãos conscientes e protagonistas da própria história e da transformação da realidade", destaca. 

Prezar pela ética e pela liberdade de imprensa 

Gilvan David foi editor da Cidade Nova entre 2011 e 2012 e sob sua perspectiva o jornalismo tem, cada vez mais, um compromisso com a liberdade de imprensa e com a ética.  “Há mais chances de serem revelados processos de corrupção e de injustiças quando a sociedade possui uma imprensa livre e pautada pela ética. Isso também significa que jornalistas e empresas de mídia devem conduzir a investigação jornalística com cuidado, questionar seus próprios colegas de forma ainda mais crítica e admitir erros sem reservas”. 

E Pompermayer acrescenta: “o jornalista vai ser sempre um defensor da liberdade de expressão. Para ele e seus leitores vale a frase supostamente atribuída a Voltaire: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. É nesse sentido que vemos a beleza da profissão: o respeito às diferenças, a pluralidade de ideias, a liberdade de crenças e, principalmente, a responsabilidade social.

Promover o diálogo e o respeito

Já os jovens jornalistas, Teresa Breda - ainda estudante - e Lucas Oliveira, colaboradores da Editora Cidade Nova, destacam o papel do jornalismo na promoção de uma cultura de diálogo e de respeito às diferenças. Devemos educar para que a comunicação seja construtiva e que não existam restrições à liberdade de expressão, mas sim a consciência de que devemos divulgar apenas conteúdos que respeitem os direitos humanos, as culturas, as religiões, a diversidade étnica, de gênero e etária. Se comunicar é inerente à vida, então devemos fazê-lo  bem”, reforça Breda.

Apesar das dificuldades, o jornalismo luta e se transforma diariamente para se adaptar às transformações e continuar servindo ao bem comum e à democracia.  “O jornalismo tem, portanto, o dever de possibilitar e promover o diálogo, a partir do qual uma sociedade democrática, com todas as suas típicas diferenças e divergências, encontra os caminhos em vista do bem comum e da redução das desigualdades sociais”, conclui Oliveira. 




 

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diálogo, respeito, comunicação, jornalismo, Dia do Jornalista